(Source: grayjuice)

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Um Dia Perfeito

O apartamento ficava num prédio baixo, em Ipanema, no Rio. Subi dois lances de escada e encontrei a porta aberta. “Oi, eu sou o Renato”, apresentou-se, como se eu não estivesse lá justamente por ele ser o Renato. Parecia que eu estava entrando na casa da minha avó. Aquele sofazinho de pano, móveis antigos, a mesinha do telefone, o abajur. Era tudo, menos a casa de um roqueiro. E Renato Russo morava ali. Não é muito comum entrevistar um músico na sua própria casa. Entrevistas costumam acontecer em lugares menos impessoais. Um apartamento pode ser muito revelador. Logo na entrada, um monte de CDs jogados ao lado do aparelho de som. Para minha surpresa, encontrei discos de música erudita e óperas. No meio deles, o álbum do Foo Fighters ainda fechado. Começamos a conversar. Ele estava animado com o lançamento de Equilíbrio Distante. Falava rápido e se levantava toda hora. Fazia imitações, sempre a mesma vozinha esganiçada e hilária. Não parecia o cara sério que a gente via nas fotos dos discos. Se minha adolescência tivesse uma trilha sonora, várias faixas de Legião Urbana e Dois estariam nela. Por isso, fiquei mal com a notícia que li, dia 11 de outubro, em um jornal brasileiro na Internet (desde que vim morar em Londres, em junho, leio os jornais daí sem precisar sujar as mãos). “Renato Russo morreu na madrugada de hoje”. Só. Os detalhes apareceriam nas edições do dia seguinte. Lembrei que, às vésperas do meu embarque uma amiga me deu uma fita da Legião. Remexi as gavetas até encontrar, mas não tinha sequer um walkman para ouvir as músicas. Aí me dei conta de que sabia todas de cor, comecei a cantar, baixinho, talvez com medo que o Renato Russo pudesse estar ouvindo.

Por: Fernando Luna para a revista Capricho - outubro de 1996.

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Cigarette Daydreams by Cage The Elephant

"I can see you standing next to me. In and out somewhere else right now"… 

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hannahsider: Reid Rohling (Fusion) sandboxstudio Hannah Sider ©

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Adorável Psicose

Congelei a cena. Mas nada mudou. Foram as mesmas faltas, as mesmas dores, o mesmo sempre, aquela chatice dia após dia. Eu queria um barco, só pra mim, que fosse pra bem longe. Mas longe mesmo. Onde ninguém nunca habitou. Eu não queria ver nada que me fizesse voltar a crer que existe vida lá fora. Nenhuma pessoa, nenhuma voz, nenhum animal, nenhum som, nenhum arranha-céu até a linha do mar com o horizonte. Queria névoa forte, neblina, invisibilidade total ou parcial do que há por vir. Só queria a minha vida, ali, largada pelo desconhecido, deitada sobre o chão, coberta por qualquer jornal. Eu já tive um pássaro na mão, dois voando e os três ao mesmo tempo em seus devidos lugares. Eu já tive a tal da vida comum, preenchida de coisas vazias, inanimadas, sem vida. Eu já fui cheio de vícios, amor, vida, esperança, compaixão, cheio de piedade e amizade. Agora eu estou cheio de tudo isso. Não acredito mais em nada e em ninguém. Eu não consigo mais acreditar na reversão das coisas. Eu tenho estado assim, desconfiado do mundo. Sem esperança, sem razão, com um grito preso em minha garganta e uma metralhadora de palavras apontada para o ouvido de alguém mais surdo que eu. Dê-me a dose letal do meu próprio veneno, deixe-me morrer sozinho, pois não quero arruinar a ninguém mais senão a mim. Estou ficando louco? Talvez.

--- 2 weeks ago --- ---


(Source: moan-s)

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Conversas com o criado-mudo

Parei por alguns segundos, acho que quatro foram suficientes. Observei as coisas ao meu redor. O mundo não parece ser ‘redondo’ demais? Engraçado ver que olhar ao redor nos dê a falsa impressão que tudo nos rodeia, que somos o centro do mundo. Depois disso, olhei pra dentro. É engraçado ver como tão pequenos nós ainda somos grandes. Universos infinitos que cabem dentro de um metro e sessenta, setenta ou até menos que isso. Somos infinitos universos microscópio-singulares de mundos diferentes, ou talvez sejamos sementes de um mesmo fruto, ou querendo gerar o mesmo fruto. Talvez o fim seja a piada que não teve graça, o show sem aplausos, uma discoteca de musicas melancólicas. Talvez estar morrendo seja a pior coisa que me aconteceu, mas não morrer. Talvez o fim do amor venha no começo do banal. Que seja dada a devida importância para as coisas devidamente importantes. Um “não” em uníssono para a desistência antecipada e para a decisão não tomada. Um brado ao errar e ao reconhecimento do erro, e o que vir depois também.

Para todas as desculpas e coisas não ditas há também respostas e justificativas não ouvidas. Só cobrimos aquilo que está também ao nosso alcance. Ser feliz é muito mais do que sorrir, e você nem sabe ainda, querida. Amar é muito mais que estar do lado o tempo todo, e sim estar lá sempre que necessário. 

--- 2 weeks ago --- ---


(Source: nevver)

--- 3 weeks ago --- 2,749 notes ---

prettycolors: #feae01

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--- 4 weeks ago --- 312 notes ---

O que quer dizer.

O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.

- Paulo Leminski - 

--- 4 weeks ago --- ---


(Source: skeletaltales)

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