nessa cidade, que não é um corpo, 
acumulo ruas e trafego em círculos.
nesse corpo, que  é só um lugar,
acumulo sensações e caminho
através de experiências ressurgidas.
nas esquinas, esqueço pensamentos
perco ideias e nomes conhecidos 
sopro cinzas e trago e cuspo fogo 
sorrindo para o novo, sem gravar
ruas, placas, ganhos, perdas.
se perder sem jogar, se jogar 
sem que haja planos, meios 
e fins para buscar felicidade
nos confins da dor.

(Source: )

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(Source: coolboysinleather)

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(Source: 060291)

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Eu imprimi o seu vocabulário e culpo a minha desorganização por não saber onde guardei as iniciativas de adeus. Eu sei que foram muitas. Tantas vezes eu ouvi o teu coração enfraquecendo sem saber que em algum lugar eu te perdia. Tantas vezes me disseram que o amor se faz por linhas tortas e eu pus nossas esperanças pra secar em varais paralelos. As luzes que entram pelas frestas da janela me mostram um mundo pequeno. A felicidade é do tamanho de uma simples pausa pra chorar. Só não sei se a Terra encolheu ou se a existência de um homem consegue se reduzir nessa patifaria medíocre. Eu sou o que afoga na areia a tua lembrança… E a minha alma, por dedução, é um deserto. Tenho em meu peito um cemitério de palavras bonitas que pela tua boca eu não vi brotar. E se da sua tua saliva não vem o meu oásis, elas coagulam e formam uma crosta de silêncio, e o silêncio não é de nossos olhares tímidos e de nossos beijos cansados, nossas mãos entrelaçadas e nossos apelos pelo corpo um do outro. No meio do oceano de repulsas em que me vi metido, seu coração era a esquina do infinito. O apocalipse, por que não dizer? O fim dos tempos de espera e de sofrimento. O fim da espera pelo nome de alguém que não fugisse de mim e que me permitisse naufragar, que me permitisse sentir medo da terra firme, porque tudo o que eu toco se transforma em pedra, e as pedras no meu bolso me afogam ainda mais. Eu tive medo de ser salvo, confesso. Acostumei a nadar. Seu amor era a minha cartografia. Com o tempo, eu sei, essa saudade ameniza. 360º de solidão. Eu espero um motivo de regresso, e não encontro. Não sei se é desespero ou se toda a nossa história foi uma falha. Prefiro acreditar que a falta é o que me cega e o buraco que você fez nos meus olhos é passageiro. Não consigo acreditar que te deixei pra depois. Mas eu sei que as dores foram ainda maiores. Que a carne se rasgou ainda mais fácil quando nos entregamos ao amor sem boas maneiras. Sexo frio e frágil, homem e mulher na mesma condição: ser humano com passado é bicho doente e sem cura. Eu lembro do seu vazio trêmulo e das suas pernas quase desistentes, e as lágrimas faziam uma pintura bonita no seu rosto. A dor era tua obra prima. E me encontrei nesses teus pedaços soltos, juntando, ao meu ver, minhas próprias angústias. Misturamos nossos frascos de veneno. Morremos um no lugar do outro, mas morremos. Você disse que eu poderia ir embora, caso não aguentasse o peso e a melancolia. Não vou. Eu posso, mas não vou. E você sabe que é essa a fraqueza que mais dói porque eu também sei que você nunca saiu de mim.

Cinzentos

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Eu Te Amo by Chico Buarque

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B&W Fashion

B&W Fashion

(Source: ahasteen)

--- 2 weeks ago --- 71,085 notes ---

Sei de uma criatura antiga e formidável, que a si mesma devora os membros e as entranhas, com a sofreguidão da fome insaciável. Habita juntamente os vales e as montanhas; e no mar, que se rasga, à maneira de abismo, espreguiça-se toda em convulsões estranhas. Traz impresso na fronte o obscuro despotismo. Cada olhar que despede, acerbo e mavioso, parece uma expansão de amor e de egoísmo. Friamente contempla o desespero e o gozo, gosta do colibri, como gosta do verme, e cinge ao coração o belo e o monstruoso. Para ela o chacal é, como a rola, inerme; e caminha na terra imperturbável, como pelo vasto areal um vasto paquiderme. Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo vem a folha, que lento e lento se desdobra, depois a flor, depois o suspirado pomo. Pois essa criatura está em toda a obra: cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto; e é nesse destruir que as forças dobra. Ama de igual amor o poluto e o impoluto; começa e recomeça uma perpétua lida, e sorrindo obedece ao divino estatuto. Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida. Machado de Assis.

(Source: quoteiros)


--- 2 weeks ago --- 2,220 notes ---


(Source: modernfindings)

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(Source: definitivegaze)

--- 2 weeks ago --- 99,292 notes ---

O tempo das verdades plurais acabou. Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias. José Saramago

(Source: sempreporperto)


--- 2 weeks ago --- 439 notes ---

(menino-levado)
(menino-levado)

(Source: 4weeksago)

--- 2 weeks ago --- 297 notes ---